terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Hiperactividade






“Quando se pensa em hiperactividade, provavelmente, ocorrem à memória imagens de crianças irrequietas, saltando, gritando e correndo de um lado para o outro sem descanso…”

Mas o que é a hiperactividade?
A hiperactividade ou Desordem por Défice de Atenção com Hiperactividade (DDAH) De acordo com o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria caracteriza-se por um "padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade-hiperactividade, com uma intensidade que é mais frequente e grave que o observado habitualmente nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento".. A American Psychiatric Association distingue três subtipos de DDAH de acordo com o predomínio dos sintomas da falta de atenção e da hiperactividade-impulsividade:
DDAH do Tipo Predominantemente Desatento
DDAH do Tipo Predominantemente Hiperactivo-Impulsivo
DDAH do Tipo Misto.
Este último é o que é mais frequentemente diagnosticado e combina a hiperactividade com a impulsividade e a falta de atenção.
Esta perturbação do desenvolvimento é uma problemática que começa por criar dificuldades na aprendizagem e na adaptação do indivíduo ao meio nos seus primeiros anos de vida e que, na maioria dos casos se prolonga pela sua vida adulta. Na sua actividade diária os padrões comportamentais são acentuados pela actividade motora que é muitas vezes muito acentuada e inadequada ou excessiva.

Na escola estas crianças têm muita dificuldade em permanecer no seu lugar, mexem-se baloiçam continuamente, e mantém normalmente um relacionamento difícil com os colegas intrometendo-se por vezes nas suas brincadeiras de forma impositiva o que causa a rejeição, ou o riso da turma em que estão inseridos. A DDAH é uma perturbação do desenvolvimento que afecta o comportamento, a atenção e o autocontrolo. Uma criança com DDAH manifesta sinais de desenvolvimento inadequado, em relação à sua idade mental e cronológica, nos domínios da atenção, da impulsividade e da actividade motora.
São crianças que não prestam atenção e precipitam as respostas acabando muitas vezes por se tornarem o “bote expiatório” ou o “bobo” da turma. No entanto é importante salientar que estas atitudes não podem ser confundidas com má educação ou mau comportamento ocasional. Estes factores, não podem ser considerados apenas uma condição do ser criança que se ultrapassa com o amadurecimento, tem uma base genética muito bem demonstrada que poderá ser influenciada por factores ambientais e sociais e persistir pela vida adulta.
À DDAH por vezes andam associados sintomas de depressão e de ansiedade.
Prevalência

Estima-se que de 3% a 5% das crianças em idade escolar sofrem de Desordem por Défice de Atenção com Hiperactividade (APA, 1994) e que outros 5% a 10% apresentem sintomas de DDAH em menor número mas que continuam, mesmo assim, a perturbar o curso normal da aprendizagem e o sucesso educativo, sendo os rapazes 4 a 9 vezes mais afectados que as raparigas, 80 a 90% dos casos diagnosticados são de rapazes.

Os sintomas, em muitos casos, vão-se atenuando com a idade, estimando-se que os casos em que se continuam a manifestar pela vida adulta rondem os 30 % a 50%.
Sintomas

Falta de atenção:
• Dificuldade em manter a atenção ao executar determinadas actividades;
• Evitar tarefas que exijam esforço mental persistente;
• Fácil distracção com estímulos irrelevantes;
• Falta de atenção a pormenores
• Errar por descuido nos trabalhos escolares;
• Perda de objectos necessários para as actividades a realizar.
Impulsividade:
• Mexer permanentemente os pés;
• Levantar-se em situações em que se deve estar sentado;
• Correr e saltar excessivamente em situações inapropriadas;
• Dificuldade em participar numa actividade de forma tranquila;
• Falar em excesso;
• Responder antes da pergunta ser concluída;
• Dificuldade em esperar;
• Dificuldade em reflectir antes de agir.
Outros:
• Intolerância à frustração;
• Baixa auto-estima;
• Dificuldades em cumprir normas e regras;
• Desmotivação;
• Oscilações no rendimento escolar;
• Pouca popularidade entre os colegas;
• Produção de sons e barulhos inadequados;
• Imprevisibilidade;
• Parece que não escutam quando se fala com elas directamente;
• Lentidão a copiar informação;
• Dificuldade na adaptação às mudanças;
• Reacções desproporcionadas em caso de provocação;
• Facilmente exploradas por outras crianças

Causas
As causas que conduzem à DDAH são muito variadas e, provavelmente, dependentes de factores diversificados, sendo difícil, na maioria dos casos, determinar uma etiologia precisa. Tem uma base essencialmente neuropsicológica e os factores genéticos conjugam-se com as experiências do indivíduo no seu meio ambiente, para moldar o seu comportamento e a forma como enfrenta e se integra na vida em sociedade.
Pensa-se que as características bioquímicas que influenciam o aparecimento de sintomas de DDAH, são transmitidas de pais para filhos, alguns estudos revelaram que 20% a 30% dos pais de crianças hiperactivas manifestaram também comportamentos hiperactivos durante a sua infância (Villar, 1998). Outros factores decorrentes da gestação como de substancias psicoactivas pela progenitora (uso de álcool e drogas durante a gravidez) ou complicações intra-uterinas e péri-natais, como traumatismos cranio encefálicos e anoxia, são também considerados responsáveis por mudanças estruturais e funcionais do cérebro. Para além de provocarem perturbações específicas, estas disfunções cerebrais interferem no desenvolvimento global da criança (Vasquez, 1997).
A dieta alimentar de acordo com os estudos de Villar (1998), influência na DDAH (parece que alguns açúcares, corantes e conservantes têm alguma relação com as DDAH). O autor observou, que quando crianças com hiperactividade consumiam muito açúcar aumentava o seu nível de agitação, embora uma dieta sem açúcar não diminuísse os sintomas da hiperactividade
Quanto ás causas biológicas na origem das DDAH parece que haver dúvidas de que existe uma relação entre a capacidade de uma pessoa prestar atenção às coisas e o nível de actividade cerebral nos diferentes estudos de Villar (1998) detectaram-se áreas do cérebro menos activas em pessoas portadoras de DDAH do que em pessoas sem esta problemática, levando à suspeita de uma possível disfunção do lóbulo frontal e das estruturas diencéfalo-mesenfálicas.

Tratamento
Para o tratamento das crianças com DDHA deve-se inicialmente proceder a uma análise cuidada e criteriosa da situação dado que constituem um grupo heterogéneo. O conhecimento da situação particular de cada caso permitirá determinar a melhor forma de tratamento, variando as opções entre a administração de psicofármacos, as técnicas de modificação do comportamento, as técnicas cognitivas e metacognitivas ou uma aproximação multidisciplinar englobando as diferentes vertentes. A adequação dos programas escolares deverá ser uma vertente fundamental nas opções de tratamento, pois é na escola onde se manifestam mais os sintomas que impedem uma aprendizagem normal.
O tratamento neste tipo de patologia deve ser associado entre medidas de terapêutica medicamentosa e programas de tratamento comportamental que envolvam o sujeito portador de DDAH e os principais intervenientes da sua vida ( Pais e Estabelecimento de ensino). Quanto à terapêutica medicamentosa tem sido obtidos bons resultados com a administração de psicofármacos à base de metilfenidato e de dextroanfetamina dado que facilitam a produção regulada de dopamina e de noradrenalina, dois importantes transmissores cerebrais, activando as partes do cérebro, aparentemente menos activas.
O tratamento comportamental deve ter por base a actuação em três vertentes: o treino dos pais, o tratamento centrado na criança e a intervenção centrada na escola de modo a que possam ser implementadas medidas preventivas que permitam aos pais e educadores reduzir o impacto desta desordem na vida das crianças. A adopção de técnicas comportamentais deve permitir reduzir a frequência dos comportamentos inadequados e aumentar a frequência de comportamentos desejados.
No seio familiar a adaptação da criança em ambientes familiares bem estruturados e baseados em rotinas e regras claras, onde as expectativas dos adultos são consistentes e as consequências são estabelecidas com clareza e aplicadas de imediato revela obter melhores resultados.
A criança com DDHA nos ambientes onde se requer que ela preste atenção e que exiba um comportamento calmo e exemplar, os problemas tendem a agravar-se, assim, a compreensão que as pessoas significativas, sobretudo os adultos com quem a criança convive diariamente, tiverem da problemática da DDAH, determinarão a exibição mais ou menos expressiva dos sintomas de hiperactividade, de impulsividade e de desatenção.
A informação dos adultos cuidadores quanto aos aspectos da doença permite que estes sejam capazes de estruturar os ambientes de tal forma que o comportamento da criança se torne adequado e a criança sinta mais adaptada obtendo mais sucesso. Desta forma, em vez de se esperar que seja apenas a criança a modificar-se é o ambiente onde ela interage que se deve modificar e ajustar por mediação do adulto. Ao adulto compete, ainda, providenciar encorajamento para que os comportamentos adequados se repitam.


artigo da autora do blog publicado:Dossier Saúde 17 – Revista huniversal Cruz Vermelha Portuguesa - Núcleo de Tavira. N.º24/25. – 3/4º trimestre de 2007.
http://cvptavira.com.sapo.pt/Huniversal_25/coleccionavel_saude_17.pdf

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