terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Tablets, telemóveis e jogos interactivos não deixa espaço para o desenvolvimento infantil saudável.

A introdução precoce de tablets, telemóveis e jogos interactivos não deixa espaço para o desenvolvimento infantil saudável.
 
Quando olhamos para uma criança de dois anos que exercita o seu cérebro num ecrã, devemos perceber que ela perdeu espaço para brincar, exercitar os seus conhecimentos, aprender a relacionar-se com o mundo... perdeu a noção do que são as relações saudáveis entre os humanos, perdeu a oportunidade de perder os seus medos, de mostrar as suas alegrias e ficando passivamente, a carregar em pequenos ícones que saltam, brincam, penteiam bonecas, põem enfeites, num simples toque.
Onde fica o encaixar das peças? Os pequenos jogos de polícias e bombeiros? O fazer bolinhos, o saltar a corda? Onde é que o desenvolvimento físico e intelectual se encontra com o mundo real sem se intrincar numa realidade paralela em que a frustração é mínima, onde não há lugar para a brincadeira a pares, para andar de bicicleta, para saber o que é cair e levantar-se, para chorar, rir, dançar, cantar sentir o calor do sol, saltar as pocinhas da chuva e molhar as botas de água, pregar partidas à avó, correr pelos montes, picar-se nas urtigas e sentir o colinho de umas mãos quentes sempre dispostas a proteger, até este pequeno ser aprender a proteger-se sozinho?

Que sociedade teremos no futuro? Quantas coisas ficarão perdidas? Será que saberão estes jovens relacionar-se, tratar de uma casa, cuidar de um filho, ter um verdadeiro amigo, respeitar as regras de uma sociedade, expressar-se nos sentimentos mais simples da vida...pergunto?

De facto, as crianças choram menos, chateiam menos ... mas onde fica tudo o resto? As aprendizagens que se fazem nesta etapa da vida, são a base de toda a estrutura do ser humano, a raiz da árvore, que quando bem sucedidas dão lugar a um ser magnifico, seguro e saudável, sem medos, criativo, equilibrado, em harmonia consigo mesmo e com o mundo, capaz de se adaptar às circunstancias mais diversas. É necessário regressar às origens tradicionais da educação, as crianças necessitam de tempo, de pais presentes, que dispensem tempo de qualidade aos seus filhos, mostrando-lhe o mundo através dos seus olhos até que estes pequenos seres sejam capazes de desenvolver um pensamento próprio. 

É impensável observarmos um passeio domingueiro de uma família em que ninguém interage... faz alguns dias observei uma família de 4 pessoas (um pai, uma mãe, uma menina de 9 anos e um bebé de 2 anos e meio, aproximadamente), entre eles um silêncio absoluto reinava, ninguém falava, ninguém ria, ninguém observava nada a não ser o pequeno ecrã à sua frente. Para mim pensei...não seria melhor estarem a caminhar  na praia, a comer um gelado, a brincar num parque infantil.... que histórias terão eles para contar no futuro sobre os seus passeios de infância? 
Receio os níveis de insegurança interna, as dificuldades relacionais, as dificuldades ao nível da adaptação a novas situações, o aumento de patologias como a depressão e a ansiedade... afinal o mundo dos tablets é irreal! 

Cada vez mais penso que os pais devem ser alertados para os riscos que os seus filhos correm, pois este tipo de estimulação precoce retira o lugar a toda uma serie de aprendizagens que são necessárias na  infância, tendo em vista um crescimento saudável. by A.F.

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