terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Confiança


Confiança

“Subi a minha filha de apenas dois anos para cima da mesa da sala e disse-lhe:
-Salta, vamos, eu apanho-te!
Ela duvidou um instante e imediatamente saltou para os meus braços.
-Que menina tão valente!
E ela respondeu-me:
-Outra vez…
Então continuamos a jogar, fazendo cada vez mais larga a distancia e mais divertido o salto. Meses mais tarde repetimos o jogo na piscina (mais difícil ainda), e depois com o passar do tempo, sucederam-se outras circunstâncias nas quais animei a minha filha a atravessar e ela confiou em mim!”

Se existe uma rede de invisível que sustenta uma grande parte das relações humanas, essa é a CONFIANÇA. Os seres humanos confiaram uns nos outros, muito antes dos cartões de crédito, um aperto de mão significava um acto de fé recíproca e rubricava um acordo, sem mais aval que a confiança. Ás vezes a confiança é a mais sólida de todas as leis até das amorosas. Não é fácil explicar mas é uma sensação, um crédito vinculativo, um compromisso.

Dizem os estudiosos do amor, que a estabilidade de um casal requer carinho, paixão, compromisso, pois bem, quase todo o mundo associa compromisso a casamento, papeis, contrato, conservador ou padre, mas na realidade o compromisso é fundamentalmente confiança, confiança na lealdade do outro e confiança na entrega de nós próprios. Quando essa sensação se recente, o amor torna-se doloroso e estala. O mesmo acontece com a amizade onde apesar de não existir um compromisso escrito quando a confiança desaparece também desaparece a amizade, e seguramente de modo fulminante.

Grande parte dos prejuízos negativos têm como fundamento a desconfiança: desconfiamos de algumas pessoas, de certas etnias, de certas minorias, dos feios, dos obesos, dos mal vestidos, porque sim! Sem razão nem justificação. A confiança projecta-se e recebe-se.
Há pessoas que são dignas de confiança e outras que são fraudulentas. Mas a confiança é também um modo de entender as coisas, uma atitude perante a vida: há pessoas que são “confiadas” (confiam em tudo) e outras que são desconfiadas (suspeitam do que lhes aparece). Para estes últimos o seu lema é “ desconfia e acertarás”. O desconfiado não está em paz quase nunca, porque ao nível emocional sempre existe uma suspeita e certamente as maldades que atribui ao outro são precisamente as que ele possuí (pois só podemos olhar o outro pelos nossos próprios olhos).
Nem todas as pessoas são boas, mas muita gente é. Vale a pena pensar assim; confiar viver confiadamente sabendo que uns braços estão à nossa espera.


“…Antes de nos preocuparmos com a confiança EM ou De algumas pessoas teríamos de trabalhar na nossa própria confiança, pois não pudemos receber ou dar confiança se não a temos dentro de nós próprios… é impossível irradiar, inspirar … se não a temos…”





(com base no texto de Pilar Varela)

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