Falsos Psicólogos: um perigo silencioso para a Saúde Mental


Nos últimos anos tenho assistido, com crescente preocupação, à proliferação de pessoas que se apresentam como especialistas em saúde mental sem possuírem as qualificações necessárias para exercer Psicologia.
Infelizmente, continuam a surgir indivíduos que utilizam designações ambíguas, promovem terapias sem evidência científica ou recorrem a títulos que podem induzir o público em erro. Para quem procura ajuda num momento de sofrimento, distinguir um profissional qualificado de alguém sem preparação adequada nem sempre é fácil.
A Psicologia é uma profissão regulada em Portugal. O título de Psicólogo é legalmente protegido e o seu exercício exige formação universitária específica, estágio profissional e inscrição na Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Ao longo de mais de duas décadas de prática profissional, tenho acompanhado pessoas que chegaram à consulta depois de anos de intervenções inadequadas. Algumas perderam tempo precioso, outras agravaram o seu sofrimento e quase todas perderam a confiança em quem as poderia ajudar. Esta é uma realidade que não pode ser ignorada pois está a agravar-se.
Por isso, antes de iniciar um acompanhamento psicológico, vale a pena confirmar alguns aspetos fundamentais:
Se o profissional está inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses e possui cédula profissional válida.
Se a formação apresentada corresponde efetivamente à área em que exerce.
Se exerce a sua atividade de forma transparente, emitindo os respetivos recibos.
Se utiliza métodos de avaliação e intervenção sustentados na evidência científica e reconhecidos pela comunidade científica.
É importante recordar que ser Psicólogo não significa apenas ter facilidade em ouvir, comunicar ou aconselhar. A intervenção psicológica resulta de anos de formação académica, treino supervisionado, estudo contínuo e cumprimento de rigorosos princípios éticos e deontológicos.
Ao longo da minha carreira encontrei diversas pessoas que, antes de chegarem a uma consulta de Psicologia, passaram anos a recorrer a intervenções sem eficácia demonstrada. Em muitos casos perderam tempo precioso, investiram quantias significativas e, mais grave ainda, viram o seu sofrimento prolongar-se desnecessariamente.
Escrevo este artigo porque acredito que a informação também protege. Tal como procuramos um médico devidamente habilitado quando temos um problema físico, devemos procurar um Psicólogo qualificado quando está em causa a nossa saúde mental.
Escolher um profissional credenciado não é apenas uma garantia de qualidade. É um direito de todos os cidadãos.

Comentários

Mensagens populares